Masculinistas lutam por achar que feminismo foi longe demais

25/04/2014 14:21

Masculinistas lutam por achar que feminismo foi longe demais

Masculinistas lutam por achar que feminismo foi longe demais
24/04/2014 | 08h35min


Pouca atenção à violência doméstica praticada contra homens, menos chance de obter a guarda dos filhos, difusão de uma imagem bastante negativa deles pela mídia. Essas são algumas das causas pelas quais batalham os chamados movimentos masculinistas (ou movimento dos homens). Esses grupos começaram a ganhar corpo em alguns países da Europa no final década de 1970, mas há registros de manifestos do gênero no final do século 19.
"O masculinismo surgiu como uma resposta à crescente influência do feminismo", explica a socióloga Viviene Cree, da Universidade de Edimburgo, na Escócia. Segundo ela, em seus primeiros anos, esse tipo de ativismo chegou a simpatizar com a ideia de que as estruturas patriarcais haviam oprimido as mulheres ao longo dos séculos. "Mas, além disso, queria explorar como essas estruturas também eram capazes de impactar a vida dos homens", complementa Cree.
A partir de 1990, um novo masculinismo emergiu: dessa vez, antagonista às mulheres. "Hoje, as duas versões existem", diz a professora, cuja pesquisa se centra em temas como gênero no serviço social. Há tanto homens que lutam ao lado de mulheres contra o sexismo e a violência doméstica quanto aqueles afirmando que o feminismo foi longe demais e que agora a ala masculina está em desvantagem.
Fundador da International Association of Masculinists (Associação Internacional dos Masculinistas, em tradução do inglês), o designer americano Aoirthoir An Broc se encaixa no segundo grupo.
"Os homens concentram só 35% da riqueza do mundo, obtêm custódia das crianças em apenas 7% dos casos, representam 96% da população carcerária e são mais penalizados na escola quando tiram notas baixas", contabiliza Broc, que garimpa essas estatísticas de lugares variados, como o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o FBI, que é polícia federal estadunidense, e de sites de ativistas de direitos dos homens, como o A Voice for Men.
"Além disso, 98% das mortes em guerra são masculinas e 80% das vítimas de estupro também, considerando-se os que ocorrem em prisões e durante conflitos armados. As taxas de suicídio entre homens são maiores do que as entre mulheres. Eles pagam pensão para filhos que nem ao menos são deles e coisas muito piores".
Broc emite opiniões de deixar qualquer um de cabelos em pé. "Só por meio do masculinismo, o ginocentrismo vai acabar", diz o designer. De acordo com o Urban Dictionary, ginocentrismo seria um sistema no qual as percepções, desejos e necessidades femininos têm primazia.
"O mal, o pecado, a guerra, a violência, o estupro, o roubo e a corrupção têm origem no ginocentrismo. Ao difundir o masculinismo e a misoginia, os homens percebem que são todos irmãos. As mulheres já demonstraram que não são de confiança", diz ele.
O movimento masculinista também já chegou ao Brasil. Proliferam na internet blogs, fóruns e páginas em redes sociais dedicadas ao tema. No Facebook, um dos destaques é a fanpage "Masculinismo Brasil – Por um Brasil Mais Justo com os Direitos dos Homens". A reportagem do UOL
tentou entrar em contato com os administradores da página, mas não obteve retorno.
Outra figura admirada pelos masculinistas brasileiros é a do escritor Nessahan Alita, pseudônimo do autor de "Como Lidar com As Mulheres", livro no qual ele descreve as estratégias delas para ludibriar os homens no campo amoroso. A obra não está à venda em nenhuma livraria, mas pode ser baixada gratuitamente na internet.
Alita é uma lenda entre seus seguidores, que mantêm páginas nas redes sociais dedicadas a ele e suas frases, como "As mulheres continuarão sem notar sua presença, irão ignorá-lo e não sairão da inércia a menos que você ostente um símbolo visível de poder que demonstre superioridade social em relação aos machos rivais". Ninguém sabe seu nome verdadeiro.
O britânico Tom Martin é outro proeminente defensor dos direitos masculinos. Ele ganhou notoriedade ao processar o Departamento de Estudos de Gênero da London School of Economics em 2012 por sua recusa inflexível em incorporar a discussão sobre questões relativas à igualdade dos homens ao seu currículo. Para Martin, masculinismo é uma palavra associada mais com antifeminismo ou visões tradicionais.
"Os ativistas que lutam pelos direitos dos homens não se autodenominam masculinistas. Alguns se declaram antifeministas porque não acreditam na seriedade do feminismo em erradicar as desigualdades que os homens encaram", diz Martin.
Segundo Martin, os ativistas sérios que lutam pelos direitos masculinos advogam por paridades que os homens nunca tiveram, como acesso igual a seus filhos depois do divórcio; testes de paternidade compulsórios para cada recém-nascido; licença-paternidade maior e com remuneração mais alta; vagas para homens em abrigos para quem sofreu violência doméstica; discussões sobre questões relativas aos homens nos currículos universitários; tratamento igualitário no sistema judiciário, nos partidos políticos e na mídia.
"Pesquisas mostram que a mídia factual se refere aos homens negativamente em 69% das vezes, apresentando-os como bobos, bandidos, traidores, pedófilos, estupradores e assassinos, e positivamente em apenas 12%", afirma ele.
Martin elenca outros percalços que, segundo ele, passam os homens: a circuncisão nos bebês do sexo masculino; a quase inexistência de homens como professores em escolas e creches, o que deixa os meninos sem um modelo, prejudicando sua educação; 95% das mortes no local de trabalho são masculinas; nos namoros e casamentos, apesar de as mulheres jovens lá ganharem mais, são eles que arcam com as despesas; e se uma mulher decide ser violenta com um homem e ele chama a polícia provavelmente vai acabar preso.
"Nos comerciais, séries de humor e enredos de novelas é ainda pior: estupro e violência contra homens são frequentemente retratados como uma piada justificável", diz ele. O feminismo, continua o britânico, começou um processo, mas as feministas profissionais acham difícil concluir seu trabalho e incluir por completo as questões e políticas masculinas.
"Elas são brilhantes ao dizerem: 'onde estão as mulheres nas diretorias e nas casas do parlamento'. Mas elas odeiam olhar para baixo e perguntar: 'onde estão as mulheres nas trincheiras, nas minas?", questiona. Assim, de acordo com ele, para um desenvolvimento humano pacífico, é importante acabar com a segregação sexual e alcançar um equilíbrio de gênero em cada esfera.
"Os governos deveriam reduzir impostos para mulheres e homens que trabalham em áreas onde seu gênero é pouco representado e também dar incentivo a empregadores que chegam a um maior balanceamento entre os sexos", afirma Martin.
Autor do livro The Second Sexism : Discrimination Against Men and Boys (O Segundo Sexismo: Discriminação contra Homens e Garotos), David Benatar, professor de filosofia da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, diz que há vários motivos para o fato de a discriminação contra homens não estar na agenda do dia.
"Uma razão importante é que enquanto somos infindavelmente lembrados da discriminação contra mulheres, não há quase nenhuma menção à discriminação contra homens. Isso cria um conhecimento recebido, e o ser humano geralmente não é muito bom em questionar uma conhecimento recebido", diz Benatar. Sem contar que eles despertam menos simpatia do que elas. "As pessoas não se importam quando os homens são, por exemplo, vítimas de violência".
"Homens que lutam pela guarda dos filhos ou contra a violência doméstica praticada contra eles muitas vezes sentem que suas causas não são levadas a sério, enquanto o que ocorre com as mulheres é o contrário", explica a socióloga Viviene Cree. "Isso acontece porque eles sempre tiveram direitos, seja de voto, propriedade ou conjugais, diferentemente delas".

Fonte: http://www.paraiba.com.br/2014/04/24/05005-masculinistas-lutam-por-achar-que-feminismo-foi-longe-demais

Meus comentários: O surgimento do Masculinismo era inevitável, diante da radicalização do feminismo. Uma sociedade onde não hajam duas idéias opostas e antagônicas lutando entre si se torna uma sociedade estagnada e sem evolução. Durante décadas o Feminismo reinou absoluto, sem contestação alguma e é por isso que a nossa sociedade se degenerou tanto. Era necessário e urgente que surgisse uma antítese ao feminismo, através do Masculinismo. O grande filósofo alemão Hegel já dizia que a única forma das sociedades mudarem era através da luta entre duas idéias opostas e antagônicas entre si: a Tese contra a Antítese. A Tese na nossa sociedade atual é o Feminismo. Logo, a Antítese deverá ser o Masculinismo, que agora está tomando forma e força e em breve poderá golpear o feminismo. Da luta das duas idéias opostas: Tese X Antítese, surgirá uma nova Síntese, que é o nosso objetivo final.
Se o momento de acabar com o feminismo não for AGORA, então nos digam: QUANDO será o momento de acabar com o feminismo? Se não fora agora, então QUANDO o Feminismo deverá acabar?

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